Hoje chegou o volume 1 de Ledd HQ, que comprei na pré-venda da Jambô. Só então, de posse da versão impressa, me permito fazer comentários sobre a obra como um todo.
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(1) OS DOIS FORMATOS:
Uma das perguntas que poderiam me fazer é: “Porque comprar uma coisa que você já leu, e, ainda por cima, de graça?” A resposta é simples. O material foi colocado gratuitamente na internet pelos próprios criadores e eu li todo ele. Eles tiveram o cuidado de fazer um site, de montar um esqueminha de carregamento de páginas, de adicionar zoom e tela-cheia, de ouvir/ler os seus leitores e respondê-los pelas redes sociais… em resumo: eles fizeram tudo isso sem a menor garantia de que alguém compraria o produto impresso, como se pagos para isso estivessem sendo. Chamo isso de profissionalismo (com uma pitada de audácia). Direito à Live Stream madrugueiro com o desenhista e tudo.
(2) O PREÇO:
R$20,00 (preço aproximado, contando com a taxa do pagseguro) é considerado caro para uma revistinha em quadrinhos, SIM. Concordo com o coro, neste sentido. Mas acontece que eu não estou pagando R$20,00 por um amontoado de papel de péssima qualidade cheirando à cocô de rato com traduções de roteiros atrasados de historinhas de ninjas adolescentes. Eu tou pagando por uma capa bem maneira em cartolina, páginas e impressões de qualidade sendo onze delas coloridas (contando a contra-capa da brochura e o início do primeiro capítulo), um roteiro bom, uma arte (com arte quero dizer desenho e cor) muito boa, e que, apesar de ser impressa láááá no sul, chegou aqui num tempo bem curtinho. Eu tou pagando por uma série de serviços… e alguns deles, como eu já disse, me foram oferecidos de graça pela internet. E se isso não bastasse, volto ao item (1), e digo: tou pagando pelo pioneirismo desses caras lançarem um formato digital e uma versão impressa ao mesmo tempo. Fator decisivo na minha compra.
(3) O CENÁRIO:
Eu sou um pouco averso à Arton na hora de jogar… mas gosto muito de ler o que é escrito no cenário. Contos, romances, HQs (momento nostalgia: que fim levou “dados selvagens”? acabou? nunca li a segunda parte. Só falta aparecer alguém do vídeo show dizendo “há dez anos… direto do túnel do tempo”). O Cenário é propício a mudanças repetinas na história, se os autores assim decidirem. Por isso eles entraram numa de pregar peça no 1º de Abril e teve gente que até acreditou que a peit… Niele ia voltar… e nasceram os malditos guaxininjas. Por ser um cenário de jogo – e os autores nunca deixam de lembrar: o maior cenário nacional de RPG -, dá aquela sensação de que o leitor “faz parte” desse mundo. Bem… vou bancar o chato: na minha cabeça, Arton de Leonel Caldela é TOTALMENTE diferente da Arton de Holy Avenger, que é diferente da Arton de DBride, que, por sua vez, é totalmente diferente da Arton de Ledd. É como se fossem mundos distintos, pra mim… não consigo ler as histórias e achar que fazem parte de um mesmo cenário… a não ser pela questão óbvia “geografia + linha do tempo” que tanto encanta o @loboborges e pelas forçosas costuras que vez ou outra surgem. Na hora de jogar, o bololô de fubá nessa minha cabecinha cartesiana não deixa com que eu me divirta. Meu cenário medieval-fantástico favorito sempre vai seu Ravenloft… Mas, com certeza, Tormenta funciona pra maioria.
(4) O ROTEIRO:
O roteiro é bom. Mais que isso é exagero. Muitos mistérios e muitos ganchos para histórias futuras. como se fosse uma aventura de RPG. Mas é um roteiro bom que promete muito. Pra explicar melhor, Vou correr o risco de fazer umas comparações… deixa eu começar dizendo que é questão de gosto pessoal, apenas:
(a) Holy Avenger foi um marco das HQs nacionais, pra mim. O roteiro parecia ter sido cirado para RPGistas. Na verdade, eu me sentia como se estivesse jogando e decidindo as ações dos personagens. Mas me pergunto se eu gostaria de ler se não soubesse do que se tratava (se eu não fosse RPGista… e o mesmo vale para seu predescessor on-line, “dados selvagens”) (b) DBride eu, sinceramente, deixo passar. Apesar de gostar do traço da Awano, o roteiro é previsível, chato e bobo… é história de fim de revista de RPG, e nada mais que isso. (c)A trilogia do Leonel, pra mim, é a Obra-prima do cenário. É como eu gostaria que o mundo de Arton fosse SEMPRE. Se o Cenário de jogo fosse como eu imaginei a saga do “Crânio Negro”, cujas lembranças de um amor perdido raspavam sua epiderme através de sua armadura, forjada com os desejos de um Vallen que já não era…. nossa… podiam fazer uma HQ com ESSE tipo de sentimento. (d) Ledd é legal. É uma revista para adolescentes, é divertida, instigante. Nesse primeiro volume, deu pra sentir que o roteiro é promissor… mas é um PRIMEIRO volume e, por isso, obviamente, a história ainda está meio furada. Só depois pra eu dize4r se gostei mesmo do roteiro.
(5) A ARTE:
A estréia de @LoboBorges foi muito boa. Gosto MUITO do traço dele… e, sobretudo, gosto da abertura dele com os internautas. E gosto de ver dos estudos de personagem… o preciosismo com que ele trata os personagens (até os que só vão aparecer pra morrer) é muito maneiro. A preocupação com a expressão de Ripp, já que ele não tem sombrancelhas.. (acho que ele vai compensar isso com muito SD.. hehehe)
(6) PERSONAGENS:
Não gostei do personagem principal. Ledd é um guerreiro poderoso com amnésia e uma espada foderosa que parece ser a chave para o passado dele… além de uma mão que brilha quando ele fica “em fúria”. Ele é o personagem padrão de mangá. Gosto mais de Ripp. Um mago careca que precisa de pelos para soltar magias…. GÊNIO. Um arquétipo inovador e muito legal. Por mim eu mudava até o nome da revistinha e chamava ela de Ripp…
No mais… é isso que eu tinha a dizer sobre Ledd.
mal posso esperar pelo próximo volume, já que lerOn line vai ficar mais complicado pra mim…
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