Quem eu sou?
Sou aquilo que minhas palavras, ainda que distantes, causam ao teu coração. Sou tudo que treme em teu corpo sempre que o vento sussurra meu nome em tua nuca. Eu sou o teu descaso ou teu orgulho; empedrado, emperrado, errado. Sou o que fazes quando tens medo de não fazer nada. Sou o que temes quando teus medos já não tem importância. Sou o que amas quando o amor já não te basta nem te alimenta. Um pedaço distante de uma história desmembrada, aleijada, amputada. Sou um resto de calma no final da esperança; e uma ponta de desespero no começo da alegria. Quem eu sou? Isopor na ventania. Macarrão sem molho. Maestro sem música. Pedra no sapato. Último gole, última dança, último beijo, resto de rastro. Um vento calmo cuja a alma calma se calou. Sou a tua vontade de saber quem sou.



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