Resumo
Uma “versão resumida” de mim, ao contrário de uma tentativa de sintetizar vários espectros que me representam, apenas é a expressão da impossibilidade de escrever uma “versão completa”, pois inexiste.
Nascido em Feira de Santana, Bahia. Criado alternadamente, além de minha cidade natal, em Santaluz, Alagoinhas e Ipirá. Cresci com a habilidade de ser incômodo.
Acho que é genético… mas me forço a acreditar que é um traço cultural.
Quem sabe – quiçá – algo que OS ares do sertão e do agreste, me deram de presente ou simplesmente regalos de infância de quem andou de badogue no pescoço pra matar pardal na estação abandonada de trem; de quem já tomou “água de batata de imbuzeiro” de manhã cedo; de quem já tomou banho de açude; de quem comeu araçá de quintal de vó; de quem já desceu correndo de bicicleta a ladeira da igreja; ; de quem brincou de pião de “enfieira” (e não deesas porcarias de plástico); de quem jogava gude “valendo o vidro” e, invariavelmente, ganhava mais que perdia; de quem fez bola de sabão com talo de mamoeiro.
[Menino de cidade pequena]
Eu tenho pés de andar na caatinga e mãos de pegar cansanção.
Quem sou eu pra me permitir ter medo do mundo?
Dizem os que me sabem a falsos sábios,
que em lugar de mãos e pés, nasci portando cascos.
Para o desgosto dessas línguas de trapo, não vejo ofensa em tal julgar.
Ando por onde eu quiser, por entre os espinhos ou sobre o cascalho;
e quando me dá na telha empacar no caminho de alguém,
não há cristão ou Marxista que faça dar um passo.
Se me outorgaram tais armas como naturais, não reclamem jamais dos meus coices de muar.
Já aceitei há algum tempo que meu real talento
é me esforçar mais que os outros para conseguir metade
do qualquer um conseguiria com metade do intento.
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Quando me vi em Feira como morador, e não “passaeante”, já tinha lá meus 12. Não tinha mais estação de trem, nem pardal e até sumiram com meu badogue. Não tinha muito o que ver, só colégio, prédio e fumaça. Na escola, nos intervalos para o lanche chamar de “merenda” rendeu-me a alcunha de “tabaréu”, que depois fora substituída por “CDF, que depois fora substituída por “Nerd” e que depois…. depois nada… continuam me chamando de Nerd.
Pulemos a parte colegial… é chata e não tem nada que não seja embaraçoso.
Comecei a dançar com 13 (ou 14?), acompanhando minha mãe e minha tia nas aulas de dança de salão no Centro Universitário de Cultura e Arte – CUCA. Ganhei uma bolsa no então grupo FAMA (Fábio Martins), do qual fiz parte por um curto período de tempo. As aulas eram longe e tive certas dificuldades familiares com o assunto “dança”. Fiz ballet em vários períodos interrompidos de minha “adolescência-juventude-adultescência”, tentando absorver pedaços de informação… tarefa na qual não logrei êxito. Demorou pouco pra eu perceber que sou um péssimo bailarino por motivo bem óbvio: eu não gosto de ballet (e ainda assim, fiz aulas até recente época).
Durante esse período de “adolescência-juventude-adultescência” eu pratiquei (e de certa forma ainda pratico) Karate (Estilo Shotokan, pela Budokan Karate Club), capoeira, Kung-fu (embora por pouquíssimo tempo), teatro, oficinas de poesia, massoterapia (cheguei até a trabalhar com isso antes de perceber que eu odiava), desenho artístico, desenho de observação, etc. Em resumo… sempre fui meio de fazer tudo ao mesmo tempo. Talvez porque sempre fui de dormir pouco. E talvez por isso eu não seja nenhum excelente <<nome da atividade aqui>>… porque sempre gostei de saber de tudo um pouco.
Façamos uma lista semi-cronológica de fatos importantes… [ tem uns erros feios aí que pretendo mudar em breve]
- 1- Fábio Martins e Grupo FAMA – iniciação à “dança de salão” de maneira geral. Meu início no mundo dançante. 1996
- 2- EBADS, desde sua fundação (98?? 99??). Primeiro ano como bolsista, e, em seguida, substituindo o professor Vanduí (fundador da escola) nas aulas do CSU – Centro Social Urbano – e do Centro de Cultura Amélio Amorim, quando eu dava aula com Cristina Magnelli, (fundadora da escola). No ano seguinte, comecei como professor da EBADS – sede, permanecendo enquanto pude.
- 3- Estacionei a Dança de salão como profissão enquanto percorria outras estradas. Nessa época, estagiei em escolas públicas e privadas, enveredei pela massoterapia (que, como dito, descobri não gostar mais tarde), perdi-me e achei-me em estudos teóricos sobre corpo, cultura, movimento e consumismo. Quando saí da EBADS pela primeira vez, a direção era do Filho de Cristina, André Magnelli.
- 4- Quando retornei à EBADS, foi com a entrada de Leninha e Júnior (atuais donos da EBADS). Lá permaneci durante bastante tempo (e ainda não havia concluído meu conturbado curso de Educação Física). Durante esse tempo, tive (individualmente) a oportunidade de entrar em contato com professores de Tango excelentes, dentre os quais destaco o Valentim Cruz, (Porto Alegre), Alfredo Garcia e Evangelina (Buenos Aires) Rubens e Cidinha (Salvador) e Felipe Rocha e Lorena (Salvador). Este último sujeito, por sinal, foi responsável pela mudança mais substancial de meu modo de “ser” professor de tango, bem como o responsável pelas melhores conversas teóricas sobre o tema aqui no Brasil.
- 5- Participei de eventos dentro do Brasil, que me permitiram conhecer professores maravilhosos, ainda que por um curto período de tempo. Conheci um gênio baiano da salsa chamado Alexei Ramos, com o qual aprendi o básico do básico da salsa (e com quem eu descobri que nunca havia dançado salsa de verdade antes). Aprendi com ele também uma coisa ou duas sobre como é o mundo da dança de salão. Conheci mestres da arte de ensinar dança de salão como o Alex Amorim e a Islânia Lopes. Conheci o Éder Soares, que dança MUITO, além de ser uma das pessoas mais agradáveis do mundo. Conheci meu irmão de dança Michel Gomes, manda-chuva da dança de Brasília (e que depois se tornou um companheiro de viagem: “El Tanguero Michel”). Enfim… conheci tanta gente que me fez evoluir como professor, que apenas listar todos eles já dava pra publicar um livro. Teve fim, nesta mesma época, a minha bolsa de Iniciação Científica, minha única fonte de renda (que já havia sido renovada).
- 6- Saí da EBADS por motivos diversos que envolviam, entre outras coisas, estudo, dinheiro e predileção por trabalhar exclusivamente com o tango.
- 7- montei o Grupo Kinesis (nome “emprestado” da companhia de tango e contemporâneo que mais gosto até hoje), que existiu durante seis meses, cinco dias e algumas horas em sua formação original. Tínhamos figurinos, tínhamos horários de aula e ensaios, tínhamos até mesmo uma assessora de imprensa! Fizemos apresentações, ganhamos algum (beirando o “nenhum”) dinheiro. Atualmente, o Kinesis hiberna… quem sabe ele não acorde com uma formação nova? com uma proposta mais densa? quem sabe – quiçá? Durante essa hibernação, em uma apresentação de interstício, ainda na minha função de péssimo bailarino, encontrei aquela que seria minha amada esposa.
- 8- Durante a tentativa de reerguer o grupo, já com um grande projeto com uma boa soma de dinheiro pronta para arcar com pelo menos dois meses de ensaios e aulas, permeadas com aulas gratuitas em quatro bairros da cidade, eu torci o meu pé. Não teria o trabalho de falar de uma torção se ela fosse uma torção besta. Eu rompi três ligamentos, demorei alguns meses de muletas, gessos e fisioterapias (plurais elucidativos, e não só aliterativos). Durante esse período, as muletas só seguraram meu corpo; quem me segurou de verdade foram os amigos e minha amada esposa (então ainda noiva). Me recuperei. Mas não 100%… meu tornozelo nunca mais vai ser igual. Mas eu ainda posso dançar e, modéstia a parte, MUITO bem.
- 9- fui procurado por alunas de um grande amigo (que foi à Brasília vencer na vida. Dá-lhe, Marcelo Gamonal) para montar um pequeno grupo de estudos de tango. Esse grupo de tango se tornou o alicerce de minha dança. Dói-me dizer que esse alicerce encontra-se fissurado. Mas nada que uma reforma breve não resolva.
- 10- Fui à Argentina (Buenos Aires) para um período de aprimoramento que durou 1 mês e 4 dias. Durante esse período, fiz aulas com grandes nomes. Fiz aulas particulares com vários deles, fui a várias milongas, participei (mas não como competidor, pois AINDA não tenho cacife pra isso) do Festival Mundial de Tango, vi de perto grandes ídolos que eu tinha a impressão de que apenas eu conhecia, aqui na cidade – e ainda tenho essa impressão: Juan Carlos Copez, Aurora Lúbiz, Miguel Angel Zotto, Iñaki Uzerlaga, Susana Rinaldi, Horácio Ferrer… De todos os lugares que fui, se me fosse obrigado a destacar um só, esse lugar seria a escola DNI tango, com os professores Pablo e Dana, com quem fiz mais aulas.
- 11- Durante a minha viagem à Argentina, percebi que meu gosto pela leitura, pela palavra escrita e falada, pela cultura hispano-americana, ainda latente, precisava ser levada à frente. Quando voltei ao Brasil, prestei vestibular para Letras com Espanhol, que hoje curso ao mesmo tempo em que sou aprovado na Especialização em Filosofia Contemporânea. Ambas na UEFS – Universidade Estadual de Feira de santana.
- 12- Casei e sou feliz casado. Minha esposa – ironia – come, bebe e respira Ballet Clássico, além de cursar Letras com Inglês na UEFS.



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