Sobre a não-escrita

dezembro 12, 2019 2 comentários

Eu já não entro mais em tantas discussões na internet. Uma hora eu me livro do “tantas”
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Enquanto isso não acontece, deixa eu falar sobre as últimas coisas que li em vários grupos e comunidades de escritores.
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O que vou escrever a seguir é minha opinião como LEITOR, e não como escritor. Eu não tenho cacife pra analisar criticamente texto de seu ninguém. É só achismo.
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A onda de pseudo-boemios brasileiros que citam Bukowski com a boca (e talvez a cabeça) cheia de vento me pega tanto pelo desconhecimento – momentâneo – que tenho do autor, quanto pela crença absurda que tenho de que o sujeito “citante” também não conhece o autor. Bukowski é só a ponta do iceberg. Me peguei pensando em autores que conheço (pela obra, eu digo), como Saramago, ou Atwood… e outros autores que figuram como “respostas rápidas” quando alguma crítica é tecida a um texto de alguém que, como eu, está desbravando mundo da escrita criativa.
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Vou citar o exemplo da previsão de tempo, comum em grupos de discussão. Não é que vc não possa usar o tempo, a chuva, a janela, o sol, etc. pra começar teu texto. É que se vc tá fazendo isso só pra encher linguiça, e não porque isso tem algum sentido ou relevância no texto, o texto corre o risco se tornar chato de ler. E chato não é legal. Eu quando recebo uma crítica, busco compreender a origem da crítica, identificar o que ocasionou a crítica e analisar como essa crítica pode me ajudar a escrever melhor.
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Mas sempre que vejo críticas sendo tecidas nos grupos, vira e mexe aparece aquela argumentação do exemplo notório. O que é isso? É quando o autor iniciante usa como justificativa para uma falha de seu texto, o estilo de um escritor já consagrado. Geralmente segue o seguinte modelo:
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“Ah… Mas autor X faz isso”
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O que fica deixado de lado é o recorte histórico do autor X. Fica esquecido que Autor X passou por críticas muito mais pesadas, quebrou a cara várias vezes na porta de editora, numa época em que escrever não era modinha. Às vezes o autor X passou frio e fome antes de ser reconhecido. Às vezes o reconhecimento só veio depois que o autor X morreu.
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Vou usar dois exemplos que eu vi sendo usados como escudo em outros grupos e que acho que remontam o padrão acima.
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“Ah, mas o Saramago, pontuação, liberdade estética, nhem, nhem, nhem…”
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Eu não sinto falta da pontuação em ensaio sobre a cegueira. Saramago é um gênio. Se alguém sentiu falta de cada pontuação perdida naquele texto fuleiro que vc tenta defender usando Saramago; tu não é gênio. É só pretensioso mesmo.
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“Ah, mas a Atwood tem um capítulo inteiro descrevendo os móveis da casa, e ela também não usa pontuação apropriada em alguns diálogos…”
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Ela pode, meu caro. A gente não. Ela pode porque ela conseguiu usar um capítulo inteiro falando dos móveis de uma casa e fazer aquele capítulo ser essencial e prazeroso. Se seu texto não faz isso, não compara. Só… Não!
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Entendamos (eu tou me incluindo nas pessoas que têm que entender isso, melhor a redundância que a má interpretação) que nem sempre o que as pessoas não gostaram de ler no nosso livro é porque se trata de algo “proibido” de se fazer. É só que depende de uma capacidade, habilidade, treino… ou um “algo” ue talvez não tenhamos (ainda).
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Se um EDITORX ou umX REVISORX (profissionais da escrita, pessoas que vivem disso, e não aventureiros) nos der um retorno sobre nosso texto que nosso coração rejeita, tentemos, antes de ficar pistolaços, ler o nosso texto novamente pelos olhos do(a) profissional.
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Entendamos:
Não somos Tolkien;
Não somos Atwood;
Nem Saramago;
Suassuna ou García Marquez
e
Nem
Bukowski.

Não significa que não possamos ter como exemplos os autores que admiramos.
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Apenas precisamos reconhecer que escrever precisa de TREINO. Ninguém adquire nenhum tipo de habilidade (na vida real) sem treinar. Então, se quer escrever com a maestria de um Saramago, treine MUITO pra ficar igual a ele. Não faça de conta que é igual só porque você não quer aprender a usar travessão, hífen, vírgula e aspas.

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(Obrigado pelas recentes críticas ao meu livro, feitas de forma privada e tão educada)

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O Outro Blog

http://www.vnduda.wordpress.com

😉

Lá, só coisas relacionadas a minha vida literária.

Aqui, continua o caos de sempre…

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Estão com saudade?

agosto 7, 2019 1 comentário

Olá! Estão com saudades?

Este Blog ficará em outro daqueles hiatus. E não sei quando ele voltará… ou se voltará.

Se alguém chegou até aqui  por algum motivo qualquer, seja bem vindo, o arquivo de postagens antigas é por conta da casa. Se quiser comprar meu e-book, o link é: https://www.amazon.com.br/dp/B07RYCYH43

Se quiser comprar a versão física: https://www.amazon.com/TODO-PROCESSO-Hist%C3%B3rias-Judici%C3%A1rio-Portuguese/dp/107048458X/

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Blog, matérias, contos e o futuro.

O Facebook continua bloqueando o endereço do site, então não faz sentido eu ficar dando murro em ponta de faca. Para quem ainda acompanha o que escrevo neste blog, tenho algumas explicações sobre o passado e o futuro do blog.

Tirei TODOS os contos e poesias (pode ir checar lá no arquivo se duvidar); bem como textos que podem vir a ser publicados de forma não gratuita no futuro (ou mesmo gratuita, mas não aqui).

Alguns contos foram publicados recentemente no meu livro “É todo um processo…”, que você pode adquirir em versão DIGITAL ou, se gosta mesmo é do cheirinho de livro novo e do papel impresso entre os dedos, tem também a versão FÍSICA.

Bem… Aqui sempre foi minha “oficina de teste”: escrevo aqui para experimentar, aprender, evoluir; e parte do que escrevo neste blog é publicado em outros lugares – jornais e revistas, de forma profissional, revisada e muito melhor editada, fazendo os textos que aqui ainda repousam apenas uma espécie de “rascunho mais elaborado que o normal”.

Este meu blog pessoal vai continuar existindo. E eu vou continuar escrevendo meu besteirol todo aqui. Permanecem publicados aqui conteúdos não monetizados e não revisados, opiniões, divagações – geralmente filosóficas, pequenas crônicas – a maioria sobre dança. Mas ele vai continuar sendo exatamente isso… um blog pessoal.

Criarei um novo blog, dedicado exclusivamente a contos curtos e ficção relâmpago. Depois eu volto e edito este post, fazendo o link parecer bem AQUI.

Alguns sabem que estou com projetos escrever romances. Tenho 4 projetos de romance ENGAVETADOS…. e eles vão continuar lá durante um tempo. No momento, vou me dedicar a estudar e escrever histórias curtas.

😉

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PIADA RUIM

Eu não sou comediante (acho), mas eu escrevo coisas que acredito serem engraçadas. E eu evito escrever piadas ruins.

Uma piada, para mim, não é ruim só quando ela “não tem graça” logo de cara, mas também quando ela faz rir baseado em esteriótipos distorcidos, argumentos inválidos, e preconceitos de todo tipo. E quando a gente percebe que uma piada é ruim, ela perde a graça; porque o elemento que faz a piada ter sentido (e ser engraçada) passa a lhe causar sentimentos outros que superam a “graça” que por ventura existam no texto (e toda piada é um texto).

Eu já fiz piada ruim. E já ri delas. E demorou para eu entender que eram piadas ruins e me livrar delas.

Estou longe demais de uma versão estoica de mim. Não é isso.

Apenas não acho mais graça de coisas que, em essência, não são engraçadas, porque a minha interpretação de texto vem evoluindo com o tempo e, obviamente, com leituras.

Exemplos de “plots” de piadas que, pra mim, são essencialmente sem graça: (1) de loiras sendo burras; (2) de Judeus e Turcos sendo avarentos, oportunistas ou tendo aversão a filas e chuveiros; (3) de negros sendo burros, oportunistas ou preguiçoso; (4) baiano preguiçoso; (5) índio preguiçoso; (6) português burro; (7) generalizações de comportamentos religiosos.

Esses são os que lembro agora…. com certeza devem ter dezenas de outras piadas com “plot” ruim.

Não me contem essas piadas. Não me mande. Não me marque nelas. E, sobretudo, NÃO PEÇA que eu emita opinião sobre algo que deseja ser engraçado em um dos “plots” acima.

Além de não rir, não serei gentil ao emitir minha opinião (ou provavelmente nem emitirei opinião justamente para não ser excessivamente grosso, afinal, tenho me esforçado para ser uma pessoa melhor)

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Um livro com mais páginas

Minha esposa e eu temos o costume de dar livros pra Lucas deesde que ele nasceu. Existem livros para TODAS as idades.

Ele ainda não lê… está naquele processo de reconhecer algumas palavras. Ainda temos que ler para ele, mas ele decora alguns trechos com as palavras exatas e às vezes repete para nós, fingindo que está lendo. Eu sei que ele não está realmente lendo, e sim fingindo.

Ainda assim dá aquela sensação de dever cumprido.

Ontem, antes de dormir, ele veio correndo e disse:

– Papai! Eu quero um livro com mais páginas!
– É? Quando você fizer cinco anos vou te dar um livro com mais páginas tá?
– E quando eu fizer seis anos quero um livro com mais páginas ainda!

Alguém me traga um babador!

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“You can edit a bad book. But not a blank page”

“Você pode editar um livro ruim. Mas não uma página em branco”
 
(senta que lá vem história)
 
Há poucos meses atrás eu estava afundando em procrastinação. Usando todos os problemas possíveis para justificar não terminar algo que eu já tava fazendo há oito anos. “Não estou com tempo. Tem coisas mais importantes. Tenho que focar em resolver o problema A ou B, não dá pra escrever agora. Hoje não estou bem pra escrever, quem sabe amanhã. Só mais uma partida, aí eu paro pra escrever. Ah, meu passaporte. Ah, meu mestrado. Ah, meu visto. Ah, o trabalho”.
 
O curioso é que tempos atrás eu tinha dado um conselho a um conhecido: “Se você escrever uma página por dia, ao final de um ano, você terá um livro de 365 páginas para revisar, mas se você escrever uma página por ano, não vai ter nada”.
 
Porque era tão difícil assim seguir meu próprio conselho?
 
Te digo o motivo: escrever (a parte prática: sentar a bunda na cadeira na frente de um caderno ou computador e verter palavras) é essencialmente e irremediavelmente solitária. E quando você está só, você pode ser o seu melhor amigo ou o seu pior inimigo; e você não consegue controlar qual dos dois você vai ser a cada dia, a cada momento.
 
A resolução para o problema é que TODO o processo que envolve a escrita em si (o procedimento solitário), não precisa ser solitário. E isso ajuda com que você seja mais seu amigo do que seu inimigo nos momentos em que você estiver sozinho.
 
Se até Stephen King teve Tabby para resgatar “Carrie” da lixeira e obrigar ele a terminar de escrever; não sou eu, mero mortal, que vou me atrever a ser diferente. Eu precisava de ajuda, apoio, suporte. Alguém que me tirasse da lixeira.
 
Isso pode vir de diferente formas para muitas pessoas. Para mim, o que começou a resolver foi eleger a dedo alguns poucos colegas, além de minha esposa (sempre companheira) como “beta readers” e pedir a opinião sincera deles. O segundo passo foi não me abater com as críticas e refazer o que precisava ser refeito. A terceira parte foi a mais difícil, e ninguém podia me ajudar: terminar de escrever.
 
A última história estava “travada” e eu precisava de pelo menos mais um conto para fechar uma quantidade razoável de páginas que justificasse a empreitada de uma publicação física.
 
Foi aí que numa destas “procrastinações produtivas” (sim… isso existe) eu comecei a acompanhar vários grupos de autores no facebook, em modo furtivo durante algum tempo. Foi no grupo “Papo de Autor” (que é do site Papo de Autor, google it) que soube de uma Live semanal onde um trio de jovens autores (Wesnen Tellurian, Karen Soarele e Vinícuis Ferreira Mendes) estava fazendo um concurso de contos. E eu estava escrevendo um livro de contos. Fiquei todo animado, mas aí eu percebi que o concurso já tinha encerrado, e além do mais a temática dos meus contos não se enquadraria no gênero. Eu ia parar de assistir, mas tava sem fazer nada mesmo, continuei. Foi quando eu parei de prestar atenção no tal concurso que já tinha acabado, é que eu me toquei que eles estavam estabelecendo metas semanais de quantidade de palavras escritas e fiscalizando uns aos outros.
 
Genial! Porque eu não pensei nisso antes? Que burro que eu sou!
 
Passei a estabelecer metas para mim mesmo… para mim mesmo… ou seja só consegui provar a minha burrice.
 
Não adiantou nada, porque eu não estava conseguindo cumprir as metas que eu mesmo estabelecia, pois eu tava sempre arrumando desculpas para não ter cumprido a meta. Resolvi desativar o modo “stealth” e comecei a participar mais ativamente do grupo (e de outros grupos também); e, em determinado momento, eu resolvi colocar na tabelinha da live, publicamente, as minhas metas semanais. E era só essa pressão externa que faltava. Separei a última história para dar seguimento depois. Comecei outro conto do zero. Eu precisava de mais ou menos 2500 palavras para terminar meu livro.
 
E foi assim que, depois de 8 anos (deixa eu chamar atenção para isso: OITO ANOS!) escrevendo meu primeiro livro, eu finalmente consegui terminar de escrever: Com ajuda de minha esposa, de meus colegas de trabalho e, no fim, de gente que eu nunca tinha visto na vida.
 
(nossa… esse texto tá parecendo aquelas palestras de vendedor de produtos inúteis. Mas você já leu até aqui. Termina aí, vai).
 
Claro que não acabou ainda. Mas tá tudo encaminhado. Um amigo querido está escrevendo o prefácio. Uma revisora profissional já revisou. Um Capista profissional já está fazendo a capa. Espero daqui há uns dias estar aqui divulgando o meu PRIMEIRO LIVRO, que será publicado de forma independente pela Amazon, tanto no formado e-book quanto físico com capa comum. E eu estou ansioso como uma criança. Segurando a euforia.
 
Esse é um texto de agradecimento prévio a todo mundo que me ajudou a chegar até aqui, porque depois do livro publicado eu vou ser mais econômico nos agradecimentos e focar no marketing de vendas.
 
Então… obrigado a todos que me ajudaram a chegar até aqui.
 
🙂
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