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Dia Internacional da Dança

abril 29, 2011 1 comentário

Hoje é o dia internacional da Dança.

Quem disse? A UNESCO.

Pensei em escrever um texto sobre o porquê, mas isso vocês podem ver aqui, ou, se podem ler inglês aqui.

A CID, há algum tempo reclama que a dança (uma importante manifestação cultural) raramente consta como objeto de leis e proteções ao redor do mundo. Não estou falando sobre a profissão de dançarino ou de professor de dança…  Sobre isso, a Carol Vila Nova já escreveu muito bem. Estou falando da importância dada a dança em seu aspecto mais amplo: enquanto manifestação cultural, ou seja, uma das formas como a “saúde cultural” de um povo se expressa: através de seu corpo. Não sei o que me incomoda mais:  crianças dançando “quica na latinha” ou pseudointelectualóides  dizendo que “isso não é dança” . É DANÇA SIM! É uma demonstração de cultura, SIM! O que o elitismo quer combater qundo afirma que pagode e arrocha “não é dança”?  Que aquele que está sob o julgo de uma enxurrada midiática desprovida de conteúdo não pode dançar porque “dançar é uma arte”? Pois eu digo: dançar nem sempre é uma ação artística; desenhar também não; cantar, menos ainda… e assim por diante.

Nem toda dança é arte...

Nem toda dança é arte…

Tampouco estou dizendo que considero louvável ver uma criança de 13 anos dançando “quica na latinha”. Acho deplorável e acho que os pais deveriam ser presos… mas, É DANÇA. Não vamos turvar as discussões com pudicações . Tentando não me alongar muito, porque com certeza tem coisas muito melhores pra ler neste dia da dança, vou fazer algumas afirmações rápidas e sem raciocínio muito elaborado.

  1. Elitismo é uma forma burra de defender uma “dança melhor”. Em geral, quem opta por esse tipo de argumento tosco acaba chegando a uma “dança elitizada” que, em geral é tão imbecilizante quanto “quica na latinha”. Na pior das hipóteses, o elitismo leva a uma dança de altíssima qualidade técnica pautada em estruturas filosóficas nazistas (o que se nega até o último suspiro). Mas não adianta: qualquer tipo variação de eugenia é uma desculpa esfarrapada para a prática ariana de busca pela “raça perfeita”.
  2. “Me diga como dança um povo que te direi sobre a saúde de sua nação” é uma parafrase do pensador cristão comunista francês Roger Garaudy cujo livro “dançar a vida” é uma das leituras obrigatórias para qualquer um que se considere um amante da dança. Não considero a nação brasileira uma nação muito “saudável” sobre a ótica de Garaudy: Enquanto programas de TV voltados para dança mostram seu apreço pelo tecnicismo e/ou por uma estética torpe, baseados numa pseudo-autoridade autoproclamada; dançarinos e bailarinos brasileiros vão para o exterior para ganhar respeito e dinheiro. Vivemos num ambiente cultural insalutar ao extremo (e com cultural, não estou dizendo artístico… estou dizendo CULTURAL mesmo).
  3. Classe alta tem a mesma “postura cultural” da clase baixa frente à música e dança. Por vezes, acredito que ainda pior.
  4. Estou cansado e vou dormir…

Visitando o passado…

Recebi comentário em um vídeo antigo aqui do youtube e deu aquele ataque nostálgico… resolvi revisitá-los. Cara.. como eu era seco… Deus é mais… parecia um espantalho desnutrido… 😛 Ainda que gordinho, prefiro agora.

Todos esses vídeos são BEM anteriores a quando rompi o ligamento do tornozelo em 2008.

O primeiro é um treino informal com Cassinha, quando eu dava aulas no dojo Budokan Karate Clube. O segundo é uma apresentação de dança-livre contratada pela Natura -FSA para um encontro de promotoras (também eu e Cassinha). O terceiro vídeo foi uma gincana no Colégio Limite, onde o desafio era fazer uma professora que nunca tinha dançado antes, aprender e dançar tango num palco (a professora em questão era Viviane Vilas, de inglês)

Estudantes e Dinossauros … #UEFS

Entrei na UEFS no primeiro semestre de 2000 para cursar Educação Física. Por vários motivos (trabalho, saúde e crises existenciais ) diversas vezes quase me desliguei do curso. Para evitar isso, fiz vestibular novamente para o mesmo curso em 2003, eliminando as disciplinas já cursadas. Em seguida, optei por ir pegando  poucas disciplinas de cada vez até me formar em 2008. Neste período (2000 a 2008) aproveitei quase tudo que a UEFS tinha a oferecer: fui voluntário em diversos núcleos e grupos de estudo, fui bolsista de iniciação científica por dois anos seguidos; participei ativamente do movimento estudantil, cheguei a ser presidente do DA de Educação Física algumas vezes, fui representante discente de departamento, de colegiado, etc; participei de greves estudantis (lembro de ter incitado uma no curso de Educação Física), apoiei greves de professores (como apóio a atual – embora, hoje em dia, apenas à distância).  Hoje em dia, homem casado e trabalhador, quase não tenho tempo pra me coçar… porquê? porque voltei pra UEFS pra uma segunda graduação (Letras com Espanhol) e uma especialização (filosofia contemporânea). Isso tudo foi só pra dizer que tenho mais de 11 anos frequentando a mesma universidade. E apesar de continuar pensando na mesma direção de quando eu estava na minha primeira graduação, percebo detalhes que parecem fugir aos olhos e ouvidos dos estudantes recém-ingressos na UEFS (e mesmo de muitos que estão por se formar). Percebo, como outrem, com os sentidos e – como já nos disse certo filósofo tão atacado – são falhos, imperfeitos.

  1. Percebo que aquele tipo de professor oportunista (que se tornam professores porque se lhes apresenta uma oportunidade de serviço público, e não pela vontade real de exercer a docência) tem se tornado uma incômoda constante. Els não ligam pros seus estudantes, para o seu aprendizado, para suas experiências passadas; eles não planejam suas aulas, chegam tarde, saem cedo; faltam ao trabalho com desculpas esfarrapadas e não avisam ao departamento, que, por sua vez, não desconta o ponto do pretenso professor, ou, na melhor das hipóteses concede um prazo ad eternum para que junte-se uma certa “justificativa” (que geralmente são esdrúxulas e inaceitáveis pela lei que rege os funcionários públicos – a saber, Lei Estadual 6677/94 – BA). Essa atitude é a mesma de quando um processo de dispensa de disciplinas some por dois semestres e o professor responsável não é apresentado, não há certidões oficiais do departamento (que quando solcitadas forma negadas), e é necessário um verdadeiro trabalho de investigação pra saber ONDE estaria a papelada. Eu queria tanto acreditar que esse tipo de professor é a excessão, e não a regra… mas é impossível acreditar nisso. A essa ridícula defesa dos professores pelo órgão que deveria fiscalizá-lo, nomenclaturemos de “corporativismo
  2. Percebo uma tentativa “por parte de boa parte” do movimento docente, de passar a responsabilidade do protagonismo das lutas por um ensino melhor ao movimento estudantil. Esse protagonismo é evidente no Brasil, e me orgulho de dizer que festejei conquistas protagonizadas pelo movimento estudantil da UEFS. Mas não sejamos hipócritas. É um protagonismo medíocre – para ser bem otimista. Isso porque há uma renovação quase total do quadro de discentes da instituição em comparação aos cinco ou seis anos anteriores. Isso não é uma coisa ruim, pois dá um certo “gás” ao movimento estudantil quando pessoas que ainda não se acostumaram com o balanço do barco enfrentam a maré (como estamos metafóricos hoje!). No entanto isso também faz com que sempre permaneça um movimento de superfície, com suas bandeiras “históricas” como se fosse esse um sinônimo de “vitalícias”. Por sua vez, o movimento docente é tão corporativista quanto os órgãos depertamentais e colegiados, preocupando-se mais especificamente com “o seu” e não com o ensino. Óbvio que concordo que os professores ganham mal e que um plano de cargos e salário é urgente. O que me incomoda é saber que pelo menos 1/4 dos professores que reivindica isso não merece nem o que já ganha, pelo serviço porco que presta à UEFS e aos seus estudantes. O movimento estudantil, obviamente, não atingiu a maturidade necessária para buscar ESTA bandeira: LUGAR DE PROFESSOR RUIM E/OU QUE NÃO TRABALHA É NA RUA! Já ao movimento docente, esta bandeira não interessa, pois não garantirá o aumento em seu minguado salário, e tampouco erguerá discussões sobre o PCS. Assim, empurra-se o protagonismo da luta pelo ensino aos imaturos estudantes, eximindo de responsabilidade o pobre e ocupado movimento docente. Faça-me uma garapa!
  3. Percebo que muito estudantes não têm idéia de “o que fazer para”, de “onde solicitar isso”, “onde reclamar de” e, o principal, não têm idéia de quais são as leis que regem o ensino superior do nosso estado. Isso deveria ser função do movimento estudantil, mas em geral, eles se preocupam mais com bandeiras do que com ação de verdade (e falo de TODOS os grupos, inclusive do que sempre participei durante minha graduação). Enqunato gritam “fogo no busú” (e concordo que a passagem tá muito alta) e estão apoiando os professores (e concordo que precisam mesmo ser apoiados), quando as aulas retornarem, veremos pelo menos 1/4 dos professores “fazendo de conta que estão dando conta” dos conteúdos antes que termine o semestre. E no semestre que vem, veremos o mesmo professor que lutava como um louco pelo seu aumento, faltando aula na UEFS para ir gravar um material didático para seu outro emprego. E veremos estudantes achando isso “o máximo” porque assim, podem estudar melhor aquela “outra disciplina que interessa de verdade”.

Percebo coisas demais… algumas dessas percepções, certamente turvadas de emoções, talvez devam ser simplesmente esquecidas, como devaneios de um estudante dinossauro que teve um surto de “militantismo”. A outra parte, certamente deve ser levada em conta.

 

Aquela música que você não gosta, mas tem que aturar.

Hoje, tive que aturar (por incrível que pareça, caladinho) um vídeo da estadunidense Christina Aguilera cantando um dos seus hits que estourou em 2000 chamado “por siempre tú” que, supostamente, fala de um tal amor que é infinito, incondicional e característico da figura materna. Faça-me uma garapa! É uma musiquinha de bosta, com versos vazios inspirados na lógica da indústria fonográfica internacional de vender música com conceitos baratos portáveis a qualquer situação, para que qualquer pessoa que ouça, solteira, casada ou viúva, sinta-se “tocado”. É quase como um horóscopo de jornal. Shakira com as moscas da casa dela ou Juanes, tentando viver sem respirar também estão nesse mesmo saco. Pra mim, não é poesia… é golpe… e um golpe bem-sucedido, o que é pior.

Mas vá lá… no fim da tabuada, é uma música que cumpre o seu papel numa aula de espanhol pra maioria das pessoas. Eu, por outro lado, me esforço tanto pra não ouvir aquilo que acabo não prestando atenção na aula. E não é exagero… é um sério defeito do qual custo a me livrar, mas tento.

Na verdade o desabafo é mais porque já tou cheio de escutar Shakira, Rosario, Juanes e Maná como únicos exemplos possíveis de “músicas didáticas”. Isso quando não é uma versão em espanhol de hits da World Music ou, pior, “crássicos” do cancioneiro popular de Cuba ou outro país da hispano-américa, daqueles tão caricaturados que vc chega a lembrar de coisas igualmente chatas como “Brasiiiiiil… meu brasil brasileeeeeiro,…. meu mulato isoneeeeeeiro, vou cantar-te nos meus veeeeeersossss”. Essa última categoria, não é exatamente o que eu chamaria de música ruim, mas… puzza merta… é muito chato!!!

Falando de má escolha musical, lembro que, certa vez vi no youtube um casal de Balrrom Dancing, numa competição européia dançando “samba” ao som de “esfrega esfrega esfrega esfrega, e dá uma esfregadinha” (ou algo imbecilmente similar), e lembrei também do dia em que eu estava na Aprisco e o pastor perguntou que música os fiéis queriam que fosse tocada e um cara respondeu de imediato “ítis reino, man, aleluia”.

Lembrando dos acontecimentos acima, me toquei que podia ser bem pior… alguém poderia ter a brilhante idéia de levar “Mala fe” pra sala de aula, sem se dar ao trabalho de traduzir antes:

E, pra me causar pesadelos: vai que alguém resolve que bandinhas de Fake Salsa servem de material pra ensino de línguas? Haaa… Mas eu juro que se chegar ao ponto de tocar Capim Cubano numa aula de Lingua Espanhola, dentro de uma universidade, eu vou quebrar o aparelho de som na cabeça do desinfeliz e chuto a canela dele com vontade.

Anyway, o professor me incumbiu de levar uma música e a respectiva letra impressa pra gente usar como material na quinta-feira. Fiquei Feliz. Obviamente, ele o fez esperando que eu levasse um tango tradicional, provavelmente de Gardel ou de Troilo. E admito que até fiquei tentado em levar um e já tinha até me convencido de que “Yo soy así” era a melhor escolha.

Mas aí eu pensei: porque eu não levo um tipo de música que seja diferente do World Spanish Music de caca que todos estão acostumados, e, ao mesmo tempo, não seja tão Folk-lore ao ponto de ser desinteressante à maioria das pessoas? E se eu levasse algo alternativo que eu goste de ouvir no meu dia a dia, mas que não seja tão “cult” ao ponto de assustar?

Talvez muitas das pessoas que estão ali ouçam Christina Agulhinha ou Shake-Ira porque não conhecem outras coisas. Decidi apresentar pra turma duas bandas: Café Tacvuba (cubana) e Calle 13 (Portoriquenha). Dispensei  Mago de Oz e Rata Blanca por motivos óbvios.

Então escolhi três músicas pro prof. escolher lá na hora qual ele acha mais legal:

(1) No hay nadie como tú (Calle 13, part. especial de Café Tacvba)

(2) Baile de los pobres (Calle 13)

(3) El Metro (Café Tacvba)

A aí que acharam?