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Sobre o “Mundo da Dança” de Feira de Santana

outubro 5, 2011 5 comentários

ou “Gente que faz” e gente que “diz que faz”

Não sou um êximo bailarino clássico. Na verdade, eu sou um PÉSSIMO bailarino… eu sou tão ruim, mas tão ruim, que quando faço um pliê as pessoas me apontam a direção do banheiro, achando que eu tou com dor de barriga (just kiding). Eu sou ruim de verdade… seria melhor não saber nada de Ballet, do que o quase nada que sei. E também não sou nenhuma lenda viva do Tango, nem da “Dança de Salão” (aspas propositais).

Vamos elaborar isso melhor:  eu não sou um bailarino clássico. Também não sou o melhor professor de Tango do mundo. Mas estou inserido nesse tal “mundo da dança de feira de santana” desde que eu comecei as aulas de Dança de Salão no CUCA – Centro Universitário de Cultura e Arte – em 1996 (ou foi 97? perdoem-me a falta de memória e documentação), com o professor Fábio Martins. Não vou fazer outra “linha do tempo” toda cheia de incorreções nas datas; mas já dei aulas no CSU – Centro Social Urbano, no Centro de Cultura Amélio Amorim, na Escola Baiana de Dança de Salão e em algumas outras academias da cidade. Já fiz uma cacetada de cursos e workshops, os quais nem lembro onde joguei os certificados. Conheci e fiz aulas com professores “famosos” que não fizeram a menor diferença na minha vida; e conheci e fiz aulas com LENDAS VIVAS do Tango e das danças de salão, mas não fico exibindo fotos como se fossem troféus. Não faz meu estilo. Sempre estudei e sempre vou estudar tudo aquilo que me interessa. (E o Tango me interessa demais, mas não fujamos do tópico)

Bem… com a falta de homens no cenário da dança, eu acabava requisitado como “quebra-galho” (severino?)  em um monte de coreografias de ballet em que eu me sempre me saí, como eu direi…  péssimo… simplesmente RIDÍCULO. Mas vá lá… estamos nesse mundo é pra pagar mico mesmo. Acabou que fui conhecendo, aos poucos quase todo mundo do “Mundo da Dança” de Feira de Santana. Fiz algumas aulas de ballet, jazz, moderno… mas minha falta de persistência era notória. Já participari de um monte de mostras de dança do CUCA (organizados pelo prof. Marcos Caribé), de duas edições do finado “Feira Dança” organizado pela EARTE. E por aí eu fui, me emaranhando cada vez mais nesse estranho “Mundo da Dança” feirense. Fiquei conhecido como “professor de Dança de Salão” especialista em Tango (pobre de mim: peixe miúdo, num aquário de sardinhas, boiando num oceano de monstros marinhos) e, há algum tempo – meio que forçado pelas circunstâncias, meio que por indecisão entre vontades e prioridades – acabei entrando numa espécie de “ostracismo com escapadelas” do meu lado dançarino/professor de dança. Nos últimos três-quase-quatro anos, desde que entrei pro TJ, acabei me dedicando mais aos livros que ao corpo. Em 2012, pretendo compensar esse tempo e me envolver mais com dança e Karate.

Apesar de não saber muito sobre as técnicas específicas de cada ritmo ou estilo, acabei conhecendo muita gente. Hoje, eu sei dizer quem faz um trabalho bom, sei quem faz um trabalho ruim. Sei quem manda suas alunas para o exterior com bolsa de estudos. Também sei quem se traveste de “profissional bam bam bam”, mas cuja boçalidade que exibe no nariz, esconde vergonhas e fracassos dignos de uma sátira grega. Hoje, eu posso abrir a boca pra dizer: apesar de não dançar como eu gostaria, conheço a maioria das pessoas que compõem esse estranho “Mundo da Dança” de Feira, mesmo que essas pessoas não me conheçam.

Organizando o pensamento: Eu comecei a escrever isso aqui com duas motivações

Dorotea Bastos: Gente que faz!

Dorotea Bastos: Gente que faz!

(Motivação 1)  Iniciar uma linha de pensamento minimamente crítico sobre o que é este tal “Mundo da Dança” de Fei

ra de Santana, afirmando que, no cenário atual, existem profissionais comprometidos com a arte, existem profissionais comprometidos com o dinheiro e existem profissionais comprometidos com seus egos. E, ainda, dentro de de cada um desses esteriótipos que tracei, existe uma outra

categorização possível, essa, baseada no comportamento frente ao conhecimento das técnicas específicas de cada ritmo/estilo/método (cuidado pro cérebro não dar nó com minha lógica caótica). Em resumo, minha tese é de que existe quem:

(a) acha que sabe, mas não sabe nada – ou não sabe o suficiente (o iludido)
(b) sabe, mas não confia no que sabe (o tímido)

(c) sabe que não sabe, mas finge que sabe; e ainda tenta convencer os outros de que sabe o que, na verdade, não sabe (o picareta)
(d) sabe, tem consciência de que sabe e tenta fazer valer o seu conhecimento e tenta mudar o “Mundo da Dança” de Feira de Santana  (o batalhador)
(e) sabe, mas não se importa mais com o “Mundo da Dança” de Feira de Santana e fica tentando “salvar” um ou outro bailarino de talento. (o cético)

(Motivação 2) Feira de santana apareceu numa revista de circulação nacional. Mais apropriadamente falando: uma revista ESPECÍFICA SOBRE DANÇA de circulação nacional. E a matéria publicada pode ser acessada através desse LINK AQUI. Parabéns Dorotea Bastos, por ser GENTE QUE FAZ. Por ser alguém no “Mundo da Dança” de Feira de Santana que se importa mais com a arte do que a maioria dos artistas. Por ter conseguido, em DOIS ANOS colocar a nossa amada Feira de Santana entre as cidades que têm um FESTIVAL DE DANÇA DE ABRANGÊNCIA NACIONAL, apesar de todas as dificuldades que lhe foram impostas, apesar dos olhares de inveja. Parabéns por tentar mostrar aos dançarinos e dançarinas da cidade que todo aquário é pequeno quando comparado ao oceano.

E é com lágrimas nos olhos que termino esse texto com um NA CARA!!!!

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