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Archive for maio \28\+00:00 2016

Hoje eu vi meu filho pela janela

(o excesso de pontos é proposital)
Não era Lucas. E não era meu filho. Era o filho de outra pessoa. Uma mulher. Uma mulher pobre. Enquanto a chuva sapecava o asfalto, nem forte nem fraca, a mulher colocou seu filho sentado no umbral da janela, do lado externo do restaurante. Ela estava de passagem e parou para se abrigar. Colocou seu filho sentadinho contra a janela. Era um menino bonito (e encaixe aqui o padrão de beleza que você quiser), bem cuidado, suas roupas nitidamente gastas, mas limpas, uma sandalhinha pequena demais pro pé dele. Nem sei como eu lembro de tantos detalhes… ficaram queimados em minhas retinas como um filme fotográfico. Ele parecia com meu filho. Os cabelos  eram enroladinhos, nem crespos nem lisos, os olhos escuros. Sentado ali no Umbral, ele brincava e sorria como meu filho brinca, com a mesma expressão de “descobridor de mundo”. Sentado, logo depois de terminar de almoçar, eu olhei pela janela do restaurante e vi o meu filho. Mas não era Lucas. E não era meu filho. Era o filho de outra pessoa. Uma mulher. Uma mulher pobre.

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