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Sobre Técnica, Arte e pessoas medíocres.

Inicialmente, preciso fazer uma exortação aos que já se iniciam no mundo artístico querendo se libertar dos “grilhões opressores” da técnica.

É preciso conhecer MESMO a técnica para “se livrar” dela, e não ACHAR que conhece. Você não pode “se livrar” do que não tem. Tome tento. Se você não domina nenhuma técnica, você não tem “grilhão” nenhum pra se libertar. Não existem esses grilhões idiotas que você tanto odeia… você está odiando uma “coisa” que não existe.

Agora… claro que isso não quer dizer que você não possa revolucionar e inventar suas próprias técnicas sem conhecer nenhuma outra técnica anterior. Existem gênios neste mundo… quem sabe você não é um? Vai saber…

Há uma diferença absurda entre arte contemporânea (obviamente falo de dança, mas imagino que se enquadra em outras áreas) e arte sem fundamento, sem história, sem evolução pessoal. Usar-se da crítica à téchne como desculpa pra chutar o balde e fazer qualquer porcaria e chamar de ars, demonstra desconhecimento ou descaso, sobretudo, ao fato de que originalmente os dois termos significavam exatamente a mesma coisa (o primeiro para quem falava grego e o segundo para  quem falava latim).

Obviamente em nosso mundo ocidental moderno essa correlação entre “arte” e “técnica” foi ficando cada dia mais complexa. Os termos passaram a designar elementos distintos e suas conexões cheias de lacunas e bolhas turvas de pseudo-compreensões “filosóficas” (por favor, notem as aspas propositais). “Técnica” passou a ser designativo de um “procedimento eficaz”, argumento meramente utilitarista arranhado pelo aço, queimado no carvão e martelado pelo fordismo. “Arte” passou a designar uma estranha forma de acessar o invisível através de sensações, induções, e invenções de “coisas etéreas” que não são passíveis de explicação, apenas de “sentir”. Claro que não concordo com as definições acima, mas não tem como negar a sua força de convencimento até mesmo nos dias de hoje. A “técnica” adquiriu um elemento terreno e palpável, enquanto a “arte” foi elevada a um estado de sublimação holística que reverbera sons inaudíveis que transcendem a capacidade humana de concebê-la neste mundo aprisionado pelas duras regras da física. <<insira palavrão da sua escolha aqui>>.

Enquanto o utilitarismo medíocre transformou a téchne numa dura ferramenta destinada à execução eficaz de qualquer tarefa terrena, desvinculando-o de qualquer outra definição que não seja “um meio para um fim”, esse holismo fuleiro está, na verdade, matando o antigo conceito de ars e o substituindo por um simulacro mal-intencionado. Daquilo que se esvazia a essência, torna-se mais fácil seu controle, manipulação.

“Arte” é “qualquer coisa”.

“Técnica” é “uma prisão”.

Pessoas que assim simplificam a vida artística são pessoas medíocres. Não sejam pessoas medíocres.

A ojeriza vazia à técnica é uma deformidade de caráter que tem se proliferado absurdamente no meio artístico. Espero que isso passe um dia.

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